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A IMPORTÂNCIA DOS JOGOS E BRINCADEIRAS NO DESENVOLVIMENTO SOCIAL



 

                                       BARROS NETO, Manoel Esperidião do Rêgo

 

             Neste ponto, destacaremos em escalas comparativas o desenvolvimento social e cognitivo com jogos e brincadeiras. Cabe ressaltar, a mente da criança expande-se em todas as áreas: cognitivas, afetivas e exploráveis à medida que consolida seu domínio com o mundo. Essa consolidação se dá através de jogos e brincadeiras, os jogos infantis é uma organização interna frente à ao ambiente social. Como já percebemos os sujeitos sofrem internamente durante sua acomodação ao meio, e os fatores exógenos interferem neste desenvolvimento.

            Os jogos de exploração: (a partir de 0 a 2 anos), permite ao sujeito desenvolver um a memória criativa e o reconhecimento ambiental. Contudo, é importante mencionar que explorar faz parte da natureza humana e vai até a fase adulta. Os jogos simbólicos (a partir de 2 a 7 anos), e o jogo do faz de conta, aumenta as possibilidades da imaginação bem como a criatividade e seu reconhecimento sócio/familiar. Isto é, o objeto utilizado pela criança vai se tornar realidade em seu imaginário, é sobre este objeto de interferência que ela projeta sua realidade social e familiar. Já os jogos de regras (a partir de 6 a 7 anos) possibilita ao sujeito utilizar as funções mais elaboradas do pensamento e do raciocínio lógico, ao mesmo tempo trabalha as regras da vida cotidiana, os signos sociais. Porém, todos estes jogos podem e devem ser utilizados com crianças, adolescentes e adultos em oficinas psicotécnicas pedagógicas, o objetivo é trabalhar as funções cognitivas, a criatividade, o raciocínio lógico e ao mesmo tempo as percepções dos signos sociais. Durante as sessões ou oficinas serão detectados vários défices e ou transtornos cognitivos, relações sociais e familiares. É importante mencionar que as oficinas psicotécnicas pedagógicas desenvolvidas nas Instituições já citadas tinham apenas o objetivo de trabalhar as relações sociais e cognitivas.

            Devemos despertar e explorar as possibilidades dos sujeitos, desenvolvendo e aproveitando seus processos imaginativos conscientes e inconscientes. O estudo ordenado de reeducação social e cognitiva em Meio Aberto, despertou a curiosidade nas ações lúdicas durante as oficinas Pedagógicas de Arte e Cidadania no Núcleo de Atividades para Medidas Socioeducativas em Meio Aberto, NAMSE. Esta prática permitiu aos adolescentes inventar e a criar jogos simbólicos, o brinquedo pedagógico imaginativo utilizado para desenvolvimento de figuras humanas e outros objetos, com formas geométricas foi o tangram. Segundo Vigotski (2007) este proposito imaginativo vem justificar as atividades pedagógicas nas oficinas. “O proposito como objetivo final, determina a atitude afetiva da criança no brinquedo” (VIGOTSKI. 2007. p. 123).  É nesta interação entre o sujeito e o brinquedo ou o jogo criativo de exploração que o mediador da oficina vai começar a experimentar tendências irrealizáveis. Contudo, é importante mencionar que o brinquedo pode ser qualquer objeto escolhido. Este deve despertar curiosidade no ato do brincar ou do jogar, possibilitando ao mediador da oficina perceber a construção imaginativa da brincadeira e do raciocínio lógico numa organização social. Nietzsche (2011) tratando sobre o erro das causas imaginárias cita que a prova do prazer da força ao critério de verdade, e que o impulso causal depende do estímulo.

            “Os desejos são, antes de tudo, imaginários; encontram seus limites no possível e na realidade” (DOLTO. 2008. p.84). Neste caso o objeto de conhecimento utilizado pelo sujeito vai apenas possibilitar o experimento e a imaginação, permitindo também experienciar às possibilidades que esse objeto lhe dá. Este conhecimento reutilizado em oficinas pode transformar seus impulsos internos. Devemos respeitar o desejo, é preciso compreender todas as formas de linguagens utilizadas durante as oficinas, inclusive a linguagem do corpo e sua imagem corporal. “Se não entendermos o caráter especial dessas necessidades, não podemos entender a singularidade do brinquedo como uma forma de atividade” (VIGOTSKY. 2007. p. 108). Não é possível entender a objetividade pedagógica no ato do brincar ou entender o conflito interno do sujeito ao meio social.

            É preciso ressaltar que os espaços para o desenvolvimento das oficinas pedagógicas como as brincadeiras devem ser definidos no planejamento. Estes espaços desempenham um dos fatores essenciais para o sucesso das oficinas. Outro fator importante é a arrumação do espaço, os brinquedos não devem fazer parte deste universo. Eles devem ser incluídos ao ambiente e escolhidos a cada tipo de atividade planejada, os participantes devem ter contato aos poucos com os objetos. Devemos destacar que, não devemos interferir no momento de curiosidade dos sujeitos durante o reconhecimento dos jogos e seus objetos. Neste caso o brinquedo ou os jogos vai ser apenas o instrumento que vai possibilitar a brincadeira durante a oficina. Vigotski (2007) menciona que o brinquedo cria uma nova forma de desejos, fazendo transparecer as necessidades e os estados emotivos dos sujeitos. O citado autor traz as ações do objeto e seu significado, isto é, o desenvolvimento domina a ação.

            Os exercícios desenvolvidos nas oficinas sofrem avaliações durante todo o período escolar da criança, do adolescente e ou adulto. As necessidades e desejos dos sujeitos envolvidos no Projeto e no processo de readaptação escolar e social devem ser associados aos elementos didáticos da vida social ou socioescolar. Devemos mencionar que, a criança chega ao período de instrução formal, com o senso do “self[1]” já formado. Tais elementos alterados e ou distorcido pelo imaginário do sujeito com relação a todo processo cognitivo serão recombinado e associado ao processo de oficina.

            “A brincadeira favorece o equilíbrio afetivo da criança e contribui para o processo de apropriação de signos sociais” (OLIVEIRA. 2008. P. 160). O Projeto deve criar condições para uma transformação do imaginário cognitivo, relações sociais possibilitando aos sujeitos envolvidos o reconhecimento da capacidade, da autoestima e da compreensão dos seus limites. Por exigir dos sujeitos formas complexas de relações e observação de signos sociais, o Projeto vem trazer uma reflexão de mundo vivido, vem permitir o planejamento de vivencias futuras.

            Por meio da ludicidade e da combinação com atividades cognitivas o sujeito vai exercitar suas funções de memória durante todo o processo da informação. Mesmo porque o processo cerebral que compõem a aprendizagem, relações e linguagens são complexos. É importante esclarecer que é através dos jogos, das brincadeiras e das avaliações psicotécnica pedagógica que se pode trabalhar a relação, sujeito/outro, bem como, regras e signos sociais. 

                                                        REFERÊNCIAS

VIGOTSKY, L. S. O desenvolvimento da percepção e da atenção. 7ª ed. – São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 21 a 31.

----------------, Psicologia pedagógica. 3ª Ed. – São Paulo : Editora WMF. Martins Fontes, 2010.

VIGOTSKY, Lev Semenovich. Implicações educacionais. 7º ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 87 a 125.

----------------, Teoria e dados experimentais. Domínio sobre a memória e o pensamento. 7º ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 31 a 50.

----------------, Teoria básica e dados experimentais. Internalização das funções psicológicas superiores. 7º ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 51 a 58.
NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Crepúsculo dos ídolos. Porto Alegre, RS: L&PM, 2011.

OLIVEIRA, Zilma Ramos de. Educação infantil: fundamentos e métodos. 3ª ed. – São Paulo: Cortez, 2007. (Coleção Docência em Formação).
DOLDO, Françoise. A criança do espelho. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.



[1] Sentimento difuso da unidade da personalidade: atitudes e predisposições de comportamentos. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 3.0.

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